Iniciativa une escola, paróquia e poder público em ação socioambiental com impacto direto na comunidade

Um projeto educacional chamado “Óleo que Transforma”, que alia sustentabilidade, empreendedorismo e solidariedade, tem gerado impacto positivo em comunidades locais de Gravatá por meio da produção de produtos de limpeza a partir de óleo de cozinha usado.

A matéria-prima principal é coletada por meio de ações de conscientização que envolvem alunos e as famílias deles. O objetivo é evitar o descarte inadequado, especialmente em rios da região, como o Rio Ipojuca, além de estimular os estudantes a atuarem como agentes multiplicadores nas comunidades onde vivem.

Desenvolvida inicialmente em sala de aula, a iniciativa ganhou proporções maiores ao envolver a comunidade escolar, pelo Colégio Salesianas, a Paróquia de Sant’Ana e a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Assistência Social e Juventude e dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), responsáveis por identificar e acompanhar as famílias que serão beneficiadas durante a distribuição dos produtos.

De acordo com o professor Emiliano Ferreira, um dos mentores do projeto junto com o Colégio Salesianas, a proposta surgiu dentro das aulas de matemática, alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Esse projeto tem foco no protagonismo juvenil e na formação empreendedora dos estudantes. A ideia foi transformar uma possibilidade em ação concreta, unindo a questão socioambiental à geração de renda para as famílias”.
Para Letícia Gabrielly, estudante do 3º ano, uma das alunas envolvidas no projeto, além de beneficiar famílias, ele conscientiza sobre o descarte correto do óleo e sua transformação em produtos de limpeza.“Eu acho que é bom porque ajuda as famílias que precisam e muita gente também não sabe fazer o descarte do óleo de maneira correta e esse projeto ajuda a ensinar também as pessoas que o óleo também pode ser transformado em coisas que as pessoas elas ainda não sabem, por exemplo sabão, fazer amaciante. E eu acho que essas pessoas deveriam ter mais acesso, tanto em descartar o óleo de maneira correta, quanto em fazer novos produtos”.
Anderson Félix, orientador educacional do Colégio Salesianas, vai além: “É preciso que as escolas, os gestores tenham esse entendimento que a educação não fica apenas dentro dos muros, ela precisa perpassar e ecoar em toda a comunidade que está inserida”.
Além do impacto ambiental e social, o projeto também promove uma formação integral dos estudantes, envolvendo diversas áreas do conhecimento, como química, matemática e língua portuguesa, como explica Irmã Zenilde Fontes, diretora do Colégio Salesianas de Gravatá. “É um projeto integrador que trabalha dimensões técnicas, sociais e espirituais, incentivando o trabalho em equipe e a responsabilidade com o meio ambiente. O óleo que não é aproveitado na produção é destinado a uma empresa especializada em reciclagem, garantindo o descarte correto do material. A iniciativa reforça a importância de ações educativas que contribuem para a preservação ambiental e o desenvolvimento social das comunidades atendidas”.
Para 2026, a meta é reutilizar cerca de 180 litros de óleo reciclado, o equivalente a um tonel, para a produção de aproximadamente 5 mil litros de produtos de limpeza. Entre os itens fabricados estão detergente, amaciante, sabão em barra, sabão líquido e desinfetante, que serão distribuídos em forma de kits para famílias em situação de vulnerabilidade social no próximo dia 11.

Quem quiser ajudar o projeto, pode doar garrafas PET de um e de dois litros e caixas de sapato, que podem ser entregues no Colégio Salesianas e na Paróquia de Sant’Ana.
Reportagem: Ana Paula Figueirêdo
Fotos: Anderson Souza (SECOM)