Ação da Secretaria da Mulher de Gravatá reuniu moradoras no Mercado Público de Mandacaru e reforçou a importância da informação, da denúncia e da rede de proteção às mulheres

O distrito de Mandacaru recebeu, na manhã da quarta (05), a programação do Agosto Lilás, campanha dedicada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A atividade aconteceu no Mercado Público da comunidade e reuniu um grupo de mulheres para a palestra “Rompendo silêncios, o laço que nos une”, ministrada pela assistente social da Secretaria da Mulher de Gravatá, Patrícia Viana.

O encontro promoveu um momento de diálogo sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, os direitos garantidos por lei, a importância da denúncia e o fortalecimento da rede de apoio. A iniciativa também buscou incentivar o autocuidado, a autonomia feminina e a solidariedade entre as mulheres, mostrando que o enfrentamento à violência é uma responsabilidade de toda a sociedade.

A agricultora Virginia Maria Chaves de Moraes ressaltou que o momento trouxe novos aprendizados e reforçou a necessidade de não se omitir diante de situações de violência. “Eu achei muito produtiva, porque abriu bem a mente e foi bem explicado o que ela quis dizer sobre isso. Eu aprendi uma coisa: que você deve sempre ficar atenta no dia a dia e para as coisas que estão acontecendo ao seu redor e, se você puder fazer algo por uma amiga, que faça. Não tem mais esse negócio, como ela disse, de marido e mulher ninguém mete a colher, vamos meter o talher completo, com direito à concha, a tudo que tem direito. Não existe isso mais de você ver, ouvir e ficar calado, ver aquela pessoa se acabando e você podendo fazer alguma coisa por ela. Então foi muito oportuno, gostei muito da palestra, espero que tenhamos mais.”
Também agricultora, Janaína Nazaré da Silva emocionou as participantes ao relatar que viveu um relacionamento abusivo e encontrou força para recomeçar. “Eu achei oportuna, porque faz tempo que eu queria desabafar e não tinha como. Aqui eu queria falar com público, para as outras mulheres também ouvirem o exemplo que eu já passei. Tudo que a doutora falou, doméstica, verbal, até corporal, tudo isso eu já passei. Eu achava que, ficando ali quietinha, um dia ia acabar, mas acontecia justamente isso que ela falou: ele promete muitas coisas, ‘amanhã vou ficar bom’. Faz dez anos que estou casada com outro rapaz e estou bem, graças a Deus. Foi onde eu aprendi a ser independente, a construir minha casinha. Esses cursos também que o CRAS oferece são muito bons, eu comecei a trabalhar e ser independente. Eu agradeço também as atividades, a vocês que vieram esclarecer para que mais mulheres fiquem sabendo, sejam mais informadas, que a gente tem apoio, que pode ligar, pode contar com a polícia e com vocês também.”
A médica da Unidade de Saúde de Mandacaru, Letícia Catão, destacou a importância da atuação integrada entre as secretarias municipais. “A gente vem estabelecendo essas parcerias entre Secretaria de Saúde e Secretaria da Mulher, levando em consideração todo o contexto que a gente tem ainda de machismo e da dificuldade das mulheres se olharem, terem essa questão do autocuidado. A gente, mulher, sempre cuida muito dos outros, então precisa se olhar, cuidar da gente e ter a ciência dos direitos da gente. Nós, como profissionais de saúde, temos essa missão também. A saúde da mulher é uma questão de saúde pública, a gente combater a violência e ter acesso aos direitos. Mulheres cientes dos seus direitos são mulheres mais saudáveis, mulheres que vivem melhor. Aqui em Mandacaru a gente conseguiu estabelecer essa parceria junto com a comunidade, que abraçou muito a ideia. É muito importante a gente, enquanto município, fazer esse trabalho conjunto, intersetorial. Saúde só não tem como trabalhar sozinha, a gente precisa trabalhar num contexto de vida das pessoas, conversando e dialogando sobre todos esses aspectos que envolvem o cuidado das pessoas e das mulheres do nosso município.”

Reportagem: Ana Paula Figueirêdo
Fotos: Ednaldo Lourenço (SECOM)